domingo, 15 de novembro de 2009

Amor demasiado 15/11/09

Cheio de posses
Vinha teu amor errado
Cheio de "meus", de "minhas" e de "eus"

E se quer saber
Nem me importava
Porque o meu amor era
Cheio de "teus, de "tuas" e de você
Só de você

"Eu te amo! Só eu!!"
Você dizia
Com tuas palavras incisivas

E eu te amava toda errada
Cheia de "meus", de "minhas" e de "eus"
Sabendo que de fato era só meu

E eram teus de volta
Todos os sorrisos
Os motivos
As razões
As faltas infinitas delas
E as luzes
Ah, as luzes...

Eram teus os destinos
Os caminhos
Os retratos
A direção dos meus passos

E eram tuas
As estrelas
(Todas elas, se lembra?)
Te dei todas elas
Num rascunho de papel
Em não sei que horas
Dos meus dias que eram teus

Era só você...
Só você em todo o resto...

E de falar tando em ter
Em tantos "meus", em "eus" e "minhas"
Escrevi essa poesia
Porque sei que cada qual de nós
Amou errado
Fez tudo errado
Amou demasiado
Mas falando ainda em posse
Amou com tudo o que tinha

Lívia Trujillo 15/11/09 aproximadamente 02:00 a.m. H.V.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Só queria dizer 07/11/09

Não vou gastar meu romantismo
Nem escrever poesias baratas

Só queria dizer
O quanto meu nome fica lindo na tua boca!

Lívia Trujillo 07/11/09 14:29

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Vida céu aberto 09/11/09

Havia caminhos dos quais estava certa
E ia em linha reta
Trocando meus passos
Dando voltas na vida
Que girava em volta de mim

Feito um planeta e um satélite
Éramos interdependentes
Eu e ela
A tal da vida

Tão imensa
Tão feroz nas suas feridas
Tão bonita céu aberto
Tão bonita
Só bonita...

Ia como quem tomava tombos
E me ria
Até doer a barriga

Ria de ter caído
Ria de rir de mim
E levantava

Tinha certezas
Tinha destinos traçados
Nos mapas invisíveis
Das linhas da palma da mão dela

Acho até que eu era toda ela
Toda viva
Toda vida
Vida e meia
E nem me importava
Se vez ou outra eu me morria
E volta e meia
Girava minha volta em torno dela

Mas de tanto que morria
E renascia
Morria
E renascia
Já não era eu
Às vezes já nem era

Tanto medo
Me esvazia
Que tanto excesso de cautela
Me mata em mim mesma

Então se quer saber
Se qualquer algo pode ser um tombo
Quero ir pra onde os passos me levarem
Porque nada mais machuca
Do que temer a vida

E eu quero a vida céu aberto
Tão bonita céu aberto
Tão bonita...
Só bonita

Lívia Trujillo 09/11/2009 20:46

sábado, 7 de novembro de 2009

Minha família não pode saber 07/11/09

Minha família não pode saber, portanto se você for alguém da minha família, recomendo que pare de ler este post para que possamos continuar convivendo em harmonia. Já se não for da minha família, prometa primeiro que não contará nada do que segue a partir de agora para depois começar a ler. Promessa feita? (Se for da minha família, com certeza já se retirou e não está mais lendo... E isso não é ironia. Jamais seria!!). Se sim, vou te contar...

Imagine uma pessoa apaixonada por música. Bem apaixonada mesmo. Que ouve 800 vezes a mesma música, que respira música, bebe música, come música e se pudesse viveria só de ouvir música, despretensiosa e irresponsavelmente. Imaginou? Sim! Essa pessoa sou eu, embora eu conheça pessoas mais apaixonadas ainda do que eu. Mas não estou competindo pra ver quem gosta mais. Só estou contando minha experiência.

A genética me favoreceu no sentido de me conferir uma certa inteligência musical, que caso eu fosse menos arrogante em dados momentos e menos cegamente apaixonada por música em outros, certamente saberia muito mais do que sei agora e poderia dizer: "sou musicista". Mas não posso dizer isso, embora tenha um enorme potencial muito simploriamente explorado para tal título.

Devido o encontro de paixão cega e genética, determinação divina, legado da espécie, ou seja lá o que for, ao ouvir uma música pela 7125456° vez (nem sei como se fala isso), estou apenas ouvindo o contrabaixo pela 5°. Ou ainda, dessa vez, estou ouvindo somente a bateria... Ou reparei num novo detalhe, ou ouço apenas a voz, ou desembestei a reparar na respiração do vocalista... Ooooooooou... Resolvi ouvir o conjunto da música... Ou estou tão encantada com uma nuance quase inaudível ou imperceptível para ouvidos menos apurados, que resolvi ficar suspirando pela tal da bendita da nuance pela 10° vez.
Mas isso minha família já sabe!

Sim! Eles sabem!
Sabem que eu fui uma criança "musicalmente estranha e antisocial". Toda criança "normal" da década de 90, ouvia Xuxa, Angélica, Mara Maravilha e etc.
A antisocial aqui (ou quase ex-antisocial, rsrsrs) ouvia Enya e ópera. Tudo beeeem!! Pode dar risada... Eu não fico brava, rs...
Mas a riqueza musical que eu encontrava nessas coisas era tão absurda (e ainda é), porque é toda recheada dessas tais "nuances quase inaudíveis ou imperceptíveis para ouvidos menos apurados", que era só isso que eu queria ouvir.
Ah... Minto... Eu também ouvia Rock clássico e MPB. Foi o que a herança intelectual dos Trujillos me reservou. O que também é igualmente absurdamente lotado de riqueza musical e detalhes, notas contrapostas, dedilhados bem trabalhados, solos bem feitos e vozes encantadoras. Mas isso minha família já sabe!

O que minha família não sabe, é que ao receber aos quinze anos os meus primeiros salários, pude comprar quantas pilhas quisesse para fazer funcionar o meu walkman e também tantos fones de ouvido quanto os que eu pudesse quebrar. E o pior... Pude ouvir outras rádios... E o pior ainda: sem que minha família viesse a saber, porque todos estavam longe demais da privacidade do mundo fechado em que morávamos eu, as pilhas e os fones de ouvido.

E adivinhe! Comecei a descobrir outros estilos musicais, melodias fáceis de digerir e refrões repetitivos. E isso não me assustava!!! Pior do que isso! A mesma emoção que uma música elaboradíssima e de altíssima qualidade me causava, era a que me atordoava ao me deparar com uma letra fútil, refrõezinhos de rimas manjadas e pouca variação melódica.

Ainda mais na adolescência! Qualquer paixonite era motivo pra aumentar o volume e qualquer decepçãozinha era motivo pra ouvir as músicas mais cafonas do mundo!
E gente! Como é gostoooooso ouvir música cafona! Certos sentimentos são cafonas. Certas músicas são cafonas. E isso é pura Metafísica: "Semelhante atrai semelhante".

Cafonice atrai cafonice!!! E sou obrigada a admitir... Qualquer violãozinho meia boca me engasga! Se tem uma coisa que me emociona, é música. Pode ser o show do Tiririca (se é que ele faz show), mas música me emocionaaaaaa!!!!!!
Efusivamente me emociona, me desmorona, me derrete, me desintegra!!!!!

Tem coisa mais linda do que aquele solo de contrabaixo que dá um frio na barriga, um repique de bateria que casa com o solo do contrabaixo, ou aquele violãozinho que faz parecer que a música voa? (Eu não sou a Amelie Polán, embora seja confundida com ela certas vezes, mas pra mim tem música que voa e ponto.)
Música é pura metáfora! É incosciente, é sobrenatural... É uma coisa meio "Simbolista". Instintiva. É... Sei lá o que é!! É sensibilidade pura! Você sente e pronto. Não explica.

E há momentos em que músicas elaboradas e bem trabalhadas não vêm ao caso. Existe humor pastelão e "música pastelão", porque tem dia em que não estou pra humor ácido, refinado, inteligente e quero uma coisa bem besta pra me fazer doer a barriga de dar risada. Com música funciona da mesma forma. "Só quero que me emocione e dane-se!" Não interessa quem que fez, de onde vem e tudo o mais.

Esquecendo as minhas aulas de Percepção e Gestalt, acreditava que o resto do mundo, assim como eu, engasgava (entenda-se por segurar o choro) quando ouvia música ao vivo, ignorando que cada um sente de uma forma e reage de formas diferentes.
E a verdade nua e crua, é que qualquer música que de alguma forma me soe bonita, ainda que por um breve momento, me emociona. Mas por favor, não conte a ninguém. A minha família não pode saber.

Lívia Trujillo 07/11/09 16:00

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Semelhança irônica 02/11/09

Sei que tenho uma cara meio blasé
Meio "poucos amigos"
E há dias em que de fato, estou assim...
Noutros só me recolho à minha mania de introspecção e de refazimentos
E me refaço nos detalhes
Enquanto que neste "me refazendo"
Perco detalhes de lá fora.

Sei que tenho um humor meio ácido
Satirizo tudo quanto não deve-se satirizar
Mas é a minha maneira debochada de não dramatizar
Acho até que tudo o que é dramático demais, beira a comédia

Sei que tenho um lado meio "autista"
Em me perder no meio da conversa pra prestar atenção em coisas fúteis
Ou simplesmente perder a atenção se esvaindo no ar
Certas vezes por desdém...
Em outras não

Tenho uma coisa meio felina de "só te agrado quando convém"
E aquela cara de besta de "cachorro escorpiano" que escolhe
Um único dono e é devoto a ele
E só a ele

Sei que tenho o meu lado vira-lata de cumprimentar estranhos na rua
De sentar no chão numa roda de violão
E ali ficar
E ali fazer morada
No meio do nada
Habitando melodias e vinho barato
Mas não...
Nem sempre eu sou assim

Tenho meus dias dos bares de Rock
Gente bêbada ao redor
E música deprimente
Com aquele bando de gente brincando de autodestruição
Enquanto de fora e sóbrea, me divirto com as minhas observações
Mas não...
Nem sempre eu sou assim

Sei que às vezes só me apaixono pra fazer poesia
Ou nem me apaixono
Só cismo
Ouço meia dúzia de músicas e já me acho o Vinícius de Moraes
Com seus 500 amores infinitos
E inebriantemente malditos
Mas como são maravilhosos pra inspirar poemas!
Mas não...
Nem sempre sou tão cínica

O problema é que às vezes o amor é fato
Não é mentira de fazer poesia
Às vezes o humor do amor é ácido
Com uma cara meio blasé
Meio "poucos amigos"
Pra me quebrar em pedacinhos e me refazer
Enquanto que neste "me refazendo"
Perco detalhes de lá fora

Ninguém contou a ele o quanto
Satiriza tudo quanto não deve-se satirizar
É a maneira debochada que ele tem de me desmoronar
E eu me perco no meio de mim mesma
Pra prestar atenção em coisas fúteis

Ele tem uma coisa meio felina de "só te agrado quando convém"
E aquela cara de besta de "cachorro escorpiano" que escolhe
Um único dono e é devoto a ele
E só a ele

Tem um lado vira-lata de cumprimentar estranhos na rua
De sentar no chão numa roda de violão
E ali ficar
E ali fazer morada
No meio do nada
Habitando melodias e vinho barato
Mas não...
Nem sempre ele é assim

Tem seus dias dos bares de Rock
Gente bêbada ao redor
E música deprimente
Com aquele bando de gente brincando de autodestruição
Enquanto de fora se diverte com suas observações
Mas não...
Nem sempre ele é assim

Às vezes ele me apaixona só porque gosta de me ver fazer poesia
Ou nem me apaixona
Me cisma
Pra rir das minhas dúzias de músicas
E dos 500 amores infinitos
Inebriantemente malditos
Maravilhosos pra inspirar poemas!
Mas não...
Nem sempre ele é tão cínico

Às vezes é pior que isso
Às vezes o amor é fato.

Lìvia Trujillo 02/11/09 23:47 Horário de Verão

O novo 30/10/09

Vivo andando pelo mundo
E pra ficar viva
Conheço gente
Respiro novos ares
Faço outras leituras
Dos livros, dos filmes, das músicas
Da vida

Faço outras vidas camufladas
Na minha aparente rotina

Mas vejo todos os dias
As formas dos dias se alterando
O Pôr-do-Sol se vestindo de novos encantos
E os caminhos por onde já tinha passado
São todos novos

Meu jeito de ficar viva
As poesias, os dedilhados
São todos novos

Meu despertar é outro
Tudo é outro momento

E eu que era de tão poucos amigos
Hoje quero muitos
Quero aos montes

E eu que era de tão poucos autores
Tão poucas poesias
Hoje quero de um pouco ou de muito de todos

Eu que achava que já me conhecia
Bonita ilusão!
Mas nunca!
Nunca soube de mim
Nem de nada

E é isso que me agrada
E isso que me vivifica
Me faz Lívia

Porque percebi
Que todas as atmosferas nas quais vivi
Foram minhas sempre
Nunca de fora, nunca dos outros
Sempre fui eu
Fazendo o cenário
Da minha arte

Sempre fui eu
Vivendo teatros misteriosos
Magníficos
Reinventando vidas
Leituras
Rotinas

Vivo voando pelo mundo
E pra ficar viva
Não tropeço mais nos meus passos
Nem corro desesperadamente
Por novos livros, novos filmes, novas músicas

Podem ser até os mesmos
Se em mim houverem outros ares
De gente que fica por aí
Conhecendo gente

E eu que era de tão absolutos vazios
De tão espaçados renovos
Hoje quero de tudo, o todo.

Lívia Trujillo 17:24 30/10/2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Camiseta branca 25/10/2009

Camiseta branca de algodão
Daquelas velhinhas
Com algumas bolinhas
Por já ter sido lavada muitas vezes

Macia
Feito o nosso sono
As nossas nuvens
Que observamos
Fingindo ser ao contrário

Vivendo assim
Esse amor com cheiro de noites em horário de verão
Com damas da noite
Exalando perfumes
E ventos instigando
A ideia de sair por aí

Anda comigo
Nos caminhos quaisquer
Nos "por aí" de qualquer noite
E na simplicidade dos buraquinhos do pano
Das nossas camisetas brancas surradas
E apesar de brancas,
Nitidamente desbotadas

Somos dois excêntricos
Fingindo cair pro céu
Todos os dias
Embasbacados por nuances azuis
Por solos e segundas vozes
Vivendo da parte da música
Que dá um nozinho gostoso

Se alimentando de lágrimas
De felicidade engasgadas
Comprimindo os pulmões
Porque temos todas
Essas noites forradas de luzes
E não é preciso mais do que isso
Nem nunca será

Porque moramos na maciez
Das camisetas brancas de algodão
E o vento lá fora
Já é o maior motivo pra querer sair

"You are always on my mind"
E nem era assim que a música dizia
E a música ainda nem dizía
Porque não a conhecia

Mas a melodia dela
É toda essa atmosfera
Que por mim eu habitava

Com paredes de camisetas brancas
De algodão
Com luzes daquelas bem velhinhas
E aromas de nuvens
Com algumas bolinhas
Por já terem sido lavadas muitas vezes

Macias
Feito as noites de horário de verão pras quais
Ainda finjo que cáio
Observando ao contrário
As melodias de damas da noite
Com ideias exalando perfumes
De "you are always on my mind"

Porque moramos no sono
Da parte da música que dá
Aquele nozinho gostoso
E as lágrimas de felicidade engasgadas
São o maior motivo pra querer sair

"You are always on my mind"
E nem era assim que a música dizia
E a música ainda nem dizía
Porque não a conhecia

Mas a melodia dela
É toda essa atmosfera
Que por mim eu habitava

Infinitamente habitava...

Lívia Trujillo 25/10/2009 03:57 Horário de verão